Como lidar com comportamentos desafiadores em crianças pequenas
Postado em: 09/02/2026

Birras, gritos, negativas constantes e explosões emocionais fazem parte da rotina de muitas famílias com crianças pequenas. Esses episódios podem gerar cansaço, frustração e a sensação de perda de controle, especialmente quando ocorrem com frequência.
Embora os comportamentos desafiadores na infância sejam difíceis de manejar, raramente indicam falta de educação ou problema grave. Na maioria das vezes, estão relacionados às etapas naturais do desenvolvimento emocional.
Ao longo do crescimento, é esperado que a criança teste regras, questione orientações e manifeste emoções intensas enquanto aprende a lidar com insatisfações. Estabelecer limites claros nem sempre é simples, sobretudo quando o adulto está sobrecarregado.
Ainda assim, compreender o que está por trás dessas reações e adotar estratégias adequadas contribui para um convívio familiar mais equilibrado e saudável.
Criança que “não obedece”: o que isso realmente significa?
Na primeira infância, a criança ainda não possui maturidade emocional suficiente para responder às expectativas do adulto de forma constante. Por isso, o rótulo de “criança que não obedece” costuma ser inadequado e pouco útil.
Em muitos casos, o que se observa é uma criança em processo de desenvolvimento, que ainda está aprendendo a:
- Lidar com frustrações;
- Controlar impulsos;
- Compreender regras sociais;
- Expressar sentimentos de forma adequada.
Nessa fase, é comum surgirem comportamentos como resistência a ordens simples, oscilações de humor e reações emocionais intensas quando contrariada. Essas manifestações fazem parte do processo natural de amadurecimento e tendem a se modificar com o tempo e com orientação adequada.
Quando o comportamento passa a ser considerado desafiador?
Algumas condutas passam a ser descritas como comportamentos desafiadores quando ocorrem com maior frequência, intensidade ou impacto no dia a dia. Entre elas, destacam-se:
- Birras frequentes ou prolongadas;
- Explosões de raiva;
- Oposição persistente às regras;
- Agressividade, como bater, morder ou empurrar;
- Seletividade alimentar importante;
- Dificuldade em lidar com frustrações;
- Mudanças bruscas de humor.
Episódios pontuais são esperados ao longo da infância. O que merece atenção é quando essas atitudes passam a interferir de forma significativa na rotina da criança, da família ou no ambiente escolar.
Por que os comportamentos desafiadores surgem?
O que é esperado no desenvolvimento infantil
Na maioria das vezes, essas reações estão relacionadas ao próprio desenvolvimento infantil. Alguns fatores comuns incluem:
- Imaturidade neurológica e emocional;
- Dificuldade em expressar sentimentos como raiva, medo ou frustração;
- Baixa tolerância a limites;
- Necessidade de atenção e segurança emocional;
- Características cognitivas da idade, como distração fácil e memória curta.
Esses aspectos são esperados nesta fase e não indicam doença.
Fatores do dia a dia que podem intensificar o comportamento
Além do desenvolvimento, situações cotidianas podem aumentar a intensidade das reações emocionais, como:
- Sono insuficiente;
- Fome ou alimentação inadequada;
- Doenças ou desconfortos físicos;
- Rotina desorganizada;
- Mudanças familiares (nascimento de um irmão, separação ou troca de escola);
- Excesso de telas.
Ajustes simples nesses aspectos podem trazer melhora significativa no comportamento infantil.
Quando investigar mais a fundo?
Em uma parcela menor dos casos, comportamentos intensos e persistentes, associados a prejuízo funcional, podem estar relacionados a condições do neurodesenvolvimento ou a questões emocionais, como TDAH, ansiedade infantil, dificuldades de aprendizagem, alterações sensoriais ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).
É importante reforçar que o diagnóstico nunca se baseia em um comportamento isolado. A avaliação deve ser clínica, cuidadosa e individualizada, considerando o contexto familiar, social e escolar da criança.
Então, o que fazer nessas situações?
O adulto exerce papel central na organização do ambiente emocional da criança. Algumas atitudes práticas fazem diferença no manejo dos comportamentos desafiadores.
Seja o exemplo
A criança aprende observando. Se o objetivo é promover uma comunicação mais calma, o adulto também precisa evitar gritos e reações impulsivas.
Nomeie sentimentos
Ajudar a criança a reconhecer o que sente facilita o desenvolvimento emocional e reduz comportamentos intensos, sem rótulos ou julgamentos.
Reforce comportamentos positivos
Elogios específicos fortalecem atitudes adequadas e diminuem a necessidade de comportamentos desafiadores como forma de chamar atenção.
Comunique-se no mesmo nível
Abaixar-se, olhar nos olhos e ouvir com atenção melhora muito a comunicação e fortalece o vínculo.
Seja previsível
Cumprir combinados e evitar promessas que não serão mantidas transmite segurança e previsibilidade.
Estabeleça limites claros
Orientações simples, firmes e consistentes ajudam a criança a desenvolver tolerância à frustração e compreensão das regras.
Incentive a autonomia
Pequenas responsabilidades, adequadas à idade, favorecem independência e noção de consequências.
Mais do que punir, o objetivo é orientar. A educação positiva ensina a criança a lidar com emoções e limites de forma respeitosa e construtiva.
Quando procurar ajuda especializada?
Alguns sinais indicam a necessidade de orientação profissional:
- O comportamento interfere nas relações sociais;
- Há conflitos frequentes no ambiente familiar;
- Surgem dificuldades persistentes na escola;
- Existe risco para a própria criança ou para outras pessoas;
- Pais e cuidadores se sentem esgotados ou inseguros.
Nessas situações, a avaliação pediátrica é fundamental para orientar a família e, quando necessário, indicar acompanhamento especializado.
Cuidar do comportamento também é cuidar da saúde emocional
O desenvolvimento emocional infantil merece atenção desde cedo. No acompanhamento pediátrico, a família encontra escuta qualificada, orientações práticas e apoio alinhado à fase da criança, favorecendo relações mais saudáveis e um crescimento equilibrado.
Agende uma consulta com a Dra. Luiza Guimarães, pediatra e neonatologista, e conte com um cuidado atento e especializado para apoiar o bem-estar emocional do seu filho.