Piscina dá gripe em criança? Mito ou verdade?

Postado em: 09/09/2026

Piscina dá gripe em criança? Mito ou verdade?
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Depois de um dia de diversão na piscina, é comum os pais associarem qualquer mal-estar da criança à água, ao frio ou ao cabelo molhado. Essa preocupação é compreensível, principalmente quando os sinais aparecem logo após o passeio.

Mas a piscina não causa gripe. A influenza é uma infecção provocada pelos vírus influenza, e a exposição à água fria não é responsável pela doença. A criança pode ter entrado em contato com o vírus antes do passeio e manifestar os primeiros sintomas apenas mais tarde.

Neste artigo, você vai entender por que a piscina não provoca gripe, o que pode explicar algumas manifestações após o contato com a água, quais cuidados são importantes e em que situações é indicado procurar o pediatra.

Como a gripe é transmitida?

A gripe é uma infecção respiratória causada pelos vírus influenza. A transmissão ocorre principalmente por partículas respiratórias eliminadas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar ou falar. Com menor frequência, pode acontecer também pelo contato com superfícies contaminadas, seguido do toque na boca, no nariz ou nos olhos.

Os sintomas costumam começar cerca de dois dias após a infecção, mas esse intervalo pode variar de um a quatro dias. Por isso, se a criança apresenta febre, tosse ou mal-estar depois de um passeio, não significa que a piscina tenha provocado a doença. O contato com o vírus pode ter acontecido anteriormente, em casa, na escola ou em outro ambiente.

Água fria e cabelo molhado não causam gripe

Entrar em uma piscina fria, sair da água com o corpo molhado ou permanecer com o cabelo úmido pode causar sensação de frio e desconforto, mas não provoca uma infecção pelo vírus influenza.

Para desenvolver a gripe, é necessário entrar em contato com o vírus. Portanto, uma criança saudável não precisa deixar de frequentar a piscina pelo receio de “pegar gripe” em razão da temperatura da água. 

O que merece atenção são as condições de saúde da criança, a qualidade da água, a manutenção da piscina e os cuidados de segurança durante a atividade.

Sintomas depois da piscina podem ter outras causas

Nem toda coriza, tosse ou irritação nos olhos após a piscina significa uma infecção viral.

Em piscinas, especialmente nas cobertas, podem se acumular cloraminas, subprodutos formados quando o cloro reage com compostos presentes na água, como suor e outros materiais orgânicos. Em concentrações elevadas, em ambientes fechados e com ventilação inadequada, essas substâncias podem irritar os olhos e as vias respiratórias. 

Entre as manifestações relacionadas à irritação podem estar:

  • Irritação ou ardência no nariz;
  • Tosse;
  • Ardência ou vermelhidão nos olhos;
  • Irritação da pele;
  • Chiado ou piora de sintomas respiratórios em crianças que já apresentam doenças respiratórias, como asma.

Quando esses sintomas surgem repetidamente durante ou logo após a permanência em determinada piscina, é importante observar se existe relação com o ambiente. Uma avaliação pediátrica pode ajudar a diferenciar irritação, rinite, asma e infecções respiratórias.

Piscina pode favorecer a otite externa

O contato frequente com a água também pode aumentar o risco de otite externa, conhecida como “ouvido de nadador”.

Esse problema afeta o canal auditivo externo e está relacionado à permanência de água nessa região, que cria um ambiente favorável à proliferação de bactérias. É mais frequente em crianças e não deve ser confundido com a otite média, que acomete o ouvido médio.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Dor ou sensibilidade ao tocar ou puxar a parte externa da orelha;
  • Coceira no ouvido;
  • Vermelhidão ou inchaço;
  • Saída de secreção.

Depois da piscina, o ideal é secar delicadamente a parte externa das orelhas com uma toalha. Não introduza cotonetes ou outros objetos no canal auditivo, pois isso pode lesionar a pele e favorecer infecções.

Na presença de dor, secreção ou piora dos sintomas, a criança deve ser avaliada pelo pediatra.

Quando adiar a piscina e como reduzir riscos

Uma coriza leve, isoladamente, nem sempre impede a criança de nadar. A decisão deve considerar o estado geral, a intensidade dos sintomas e as condições de saúde.

Crianças com diarreia devem permanecer fora da piscina, pois podem contaminar a água com microrganismos que provocam infecções gastrointestinais. O Cryptosporidium, por exemplo, pode sobreviver por mais de sete dias em água adequadamente clorada. 

Também é prudente adiar a atividade quando a criança estiver com febre, muito abatida, com dificuldade para respirar ou sem condições de participar da atividade com segurança.

A prevenção de afogamentos merece atenção especial. A supervisão de um adulto deve ser constante durante toda a permanência dentro ou próximo da água.

Gripe e resfriado não são a mesma coisa

Gripe e resfriado são infecções respiratórias diferentes, embora alguns sintomas sejam semelhantes.

A influenza costuma começar de forma mais abrupta e pode causar febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça, calafrios e cansaço. Em crianças pequenas, podem ocorrer vômitos e diarreia. A ausência de febre, porém, não exclui a possibilidade de gripe.

O resfriado geralmente apresenta sintomas mais leves, como coriza, congestão nasal, espirros e dor de garganta, e pode ser provocado por diferentes vírus.

Como os sintomas podem se sobrepor, nem sempre é possível identificar o agente responsável apenas pela observação. O acompanhamento da evolução do quadro e do estado geral da criança é mais importante do que tentar determinar a causa sem avaliação.

Como reduzir o risco de gripe na infância

A piscina não provoca gripe, mas o contato próximo com outras pessoas pode favorecer a transmissão de vírus respiratórios, assim como acontece em escolas, festas e outros ambientes de convivência.

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

  • Manter a vacinação contra influenza atualizada conforme o calendário indicado para a criança;
  • Higienizar as mãos com frequência;
  • Evitar contato próximo com pessoas que estejam doentes;
  • Ensinar a criança a cobrir tosse e espirros adequadamente;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar o compartilhamento de objetos pessoais durante períodos de doença.

A vacinação contra a influenza é uma das principais estratégias para reduzir o risco de gripe e suas complicações. Crianças menores de 5 anos, especialmente as menores de 2 anos, estão entre os grupos com maior risco de desenvolver complicações. Confira o calendário de vacinação infantil

Quando procurar o pediatra

A maioria dos quadros respiratórios leves evolui bem, mas alguns sinais precisam de avaliação médica.

Procure atendimento quando a criança apresentar:

  • Dificuldade para respirar ou respiração muito acelerada;
  • Lábios ou pele com coloração arroxeada;
  • Costelas afundando durante a respiração;
  • Sonolência excessiva ou dificuldade para despertar;
  • Sinais de desidratação;
  • Dor intensa no ouvido ou saída de secreção;
  • Piora importante do estado geral;
  • Sintomas que melhoram e voltam a piorar.

Em crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos, o acompanhamento médico merece atenção especial diante de sintomas de gripe, devido ao maior risco de complicações. A prevenção também faz parte desse cuidado. Entenda como o pediatra pode ajudar na prevenção de doenças na infância

Um cuidado que acompanha cada fase da infância

Cada criança tem necessidades próprias, e o acompanhamento pediátrico permite olhar para sua saúde de forma individualizada, desde a prevenção até os momentos em que é necessário investigar algum sintoma.

A Dra. Luiza Guimarães é pediatra com 12 anos de experiência e especialista em Neonatologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com atuação baseada em ciência, experiência clínica e acolhimento.

Agende sua consulta e conte com um acompanhamento próximo, individualizado e atento às necessidades do seu filho e da sua família.


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